NETFLIX - Dilma faz ameaças à série da Netflix, gravado no país
27/03/2018 - 10h34 em Brasil

RIO DE JANEIRO A ex-presidente Dilma Rousseff (PT) afirmou nesta segunda-feira (26) que a Netflix está sendo usada para fazer campanha política ao disponibilizar a série “O Mecanismo”, de José Padilha. Ela declarou que pretende alertar lideranças políticas de outros países sobre o caso.

Dilma disse crer que a direção do serviço não tem conhecimento sobre o impacto político da série, lançada esta semana. Petistas têm criticado o fato de a produção ter incluído cenas inverídicas que prejudicam o partido —como incluir a expressão “com Supremo, com tudo” numa fala do personagem análogo ao ex-presidente Lula. Padilha diz que a série é uma ficção, embora seja baseada em fatos reais. “Netflix não pode fazer campanha política. Vou falar para as lideranças políticas que eu encontrar. ‘Se está fazendo aqui, fará em seu país.’

Acho importante que a gestão do Netflix perceba bem o que está fazendo. Não sei se sabe. O cineasta talvez saiba, mas a direção do Netflix não está sabendo onde se meteu. E acho muito grave para ela. Não vejo porque uma estrutura como aquela dar margem para isso”, disse Dilma.

A ex-presidente convocou uma entrevista coletiva para comentar os ataques à caravana do ex-presidente Lula na região Sul. Ela respondeu perguntas apenas da imprensa estrangeira, com a Reuters e a agência Sputnik, estatal russa de notícias. Dilma disse que os ataques sofridos pela caravana são consequência do impeachment sofrido por ela —o que chama de golpe. Ela afirmou que a interrupção de seu mandato provocou uma expansão da intolerância no país “O que conseguiram com esse processo foi a expansão do ódio, de reprodução desse ódio em escala nacional, um nível de intolerância muito grande e a grande difusão de pequenos grupos de extrema direita pelo país”, afirmou.

A petista classificou o impeachment como o “ato inaugural do golpe”, e comparou a radicalização ocorrida após sua queda ao recrudescimento da violência ao longo dos anos da ditadura militar. “O golpe [militar] foi em 1964. Houve um momento de radicalização em 1968. O golpe se instalou ao longo de todo um processo”, disse a ex-presidente. “O que está acontecendo com a caravana do Lula reflete o que está acontecendo com a política do Brasil. É um exemplo do que passará nessa campanha”, disse Dilma.

Ela vinculou ainda a morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) ao clima de radicalização no país. “Todo golpe se radicaliza e aumenta o grau de violência que ele utiliza para conter o grau de consciência das pessoas e conter a expressão política.

Como eles não conseguem conter com argumentos, utilizam formas mais violentas. Acho que com a vereadora Marielle aconteceu isso. É possível aceitar que matem uma mulher por um crime de opinião?”, disse a ex-presidente. Dilma sugeriu ainda que a interrupção de seu mandato teve influência estrangeira. Ela citou fala de Kenneth Blanco, ex-vice-procurador geral adjunto do Departamento de Justiça dos EUA, segundo quem houve uma cooperação informal com procuradores da Operação Lava Jato.

A informação consta de petição do ex-presidente Lula ao juiz Sérgio Moro. “É uma confissão de uma ilegalidade. Só o ministro da Justiça pode fazer acordo. Eu acredito que houve alguma interferência [estrangeira no impeachment]. A história vai mostrar qual”, disse Dilma.

A ex-presidente ironizou o fato de diversas máquinas usadas para fazer o bloqueio nas estradas da região terem sido financiadas pelo governo federal nos mandatos do PT na Presidência. A petista voltou a negar que o partido tenha um “plano B” a Lula para a candidatura presidencial.

E disse que ainda está avaliando se disputará algum cargo este ano. “Nem eu sei. Quanto mais desafio, eu vou”, disse ela. Com informações folhauol.

 

FONTE GOSPEL GERAL

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