Evangélicos picham ruas com mensagens sobre a volta de Jesus em uma tentativa de adivinhar a data da volta de Jesus com vandalismo
20/03/2018 - 9h42 em Brasil

Uma iniciativa controversa de fiéis de uma denominação evangélica no Rio de Janeiro tem misturado uma tentativa de adivinhar a data da volta de Jesus com vandalismo: muros, calçadas e pontos de ônibus têm sido pichados com a mensagem “Bíblia sim, Constituição não. Jesus voltará em 2070”.

Aproximadamente 200 fiéis da Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo têm se empenhado no “comunicado” da volta de Jesus daqui a pouco mais de 50 anos. As pichações, feitas com moldes e spray, já consumiram mais de dois mil tubos de tinta nas cores amarela, vermelha e preta.

As pichações vêm sendo feitas nas zonas norte, sul e oeste da capital, em áreas como o calçadão do Largo da Carioca, saída do metrô Uruguai, passarela do Maracanã, Museu da República, Catete, e outros pontos, assim como nas regiões Serrana e dos Lagos.

“Péssimo exemplo. Quem segue Deus não precisa sujar vias públicas”, criticou auxiliar de escritório Jefferson Cabral, ouvido pela reportagem do jornal Extra.

A Igreja Pentecostal Geração Jesus Cristo já havia atraído holofotes da mídia em agosto do ano passado, quando os fiéis organizaram uma passeata em protesto aos muçulmanos, referindo-se a eles como “assassinos”, “pedófilos” e “terroristas”. Na ocasião, formadores de opinião acusaram o líder da denominação, pastor Tupirani da Hora Lores, de promover intolerância religiosa, e ele terminou preso.

A sede da denominação fica no Morro do Pinto, em Santo Cristo, e exibe uma placa “Templo pós-prisão”, com duas mãos algemadas em prece. Essa mensagem é uma referência ao período de 18 dias que Hora Lores passou preso em 2009, acusado, também, de intolerância religiosa, por ter publicado vídeos com críticas a outras religiões.

Justiça

Condenado a pagar dez salários mínimos a uma instituição de caridade e a prestar serviços comunitários, o pastor continua enfrentando problemas legais, e recentemente o STF negou um pedido de trancamento da ação penal feito por sua defesa.

Sobre as pichações, que são feitas na madrugada, o pastor garante que “ninguém quer se esconder”: “Não estamos escondendo nada. Se apagarem, picharemos de novo. Se nos prenderem, quem tiver solto vai continuar”, avisou.

A empresa de limpeza urbana do Rio de Janeiro, Comlurb, prometeu remover as pichações e multar os pichadores que forem flagrados durante as blitzes de fiscalização em R$ 205,00.

Fonte: Gospel Geral

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